dormidouros



a série do objetos para descanso e abrigo, dormidouros, foi criada em parceria pelos artistas:
ananda sette, guilherme machado e maurício leonard e oferecidos a experimentação pública
na coletiva escala 1/1, realizada em 2005 na Galeria Maristela Tristão.
estes objetos relacionam-se com a idéia de protótipo, um fazer que pressupõe um período de testes, observações e experiências, propondo que a partir destes processos se instalem proposições outras.
a ação performática ocupou as ruas do bairro Prado em Belo Horizonte.
nota de rodapé
o nome coreogeografia, como uma síntese de discussões sobre questões de corporalidade, teve sua origem na residência «transcoletivo» que aconteceu em uberlândia/mg, na escola livre do grupontapé de teatro em 2006. para deixar um pouco mais claro o que vem a ser o tema, repasso aqui um pouco do que foi discutido durante os dois meses em que 11 artistas estiveram trabalhando em conjunto.
eu acredito que a coisa mais importante é ter uma vida satisfatória, isso é o bastante.
estou convencida de que todos que crêem que podem “completar” a outra pessoa se equivocam
porque esquecem que todo o mundo é e sempre será “incompleto”,
e que seguirá sendo vulnerável a uma nova crise,
provocado pela experiência de novas percepções.
(lygia clark)
(lygia clark)
esses objetos coreográficos têm como endereço o pensamento “a casa é o corpo” de lygia clark que, segundo a autora, é mais uma forma de “amarrar-se ao mundo”, percebendo-se enquanto endereço itinerante. e, através dessa intervenção, pretende-se desenvolver um mapa simbólico que abrigue os endereços dos respectivos corpos-casa, criando dispositivos que nos ajudem a pensar e transformar em um trabalho artístico as tensões que se confrontam dentro desse novo espaço. a intenção é desenvolver dinâmicas, apesar das exigências globais, que possibilitem a vivência de um estado expressivo.
» quase-arquitetura
depois que o jogo simbólico foi criado o passo seguinte será tornar os objetos coreogeográficos visíveis e possíveis à experiências. sem a pretensão de traduzí-los em conceitos, ou mesmo em recortes históricos mas, em clarice lispector, propor um diálogo íntimo. para que se possa tomar a liberdade de fazê-lo na primeira pessoa, por que esse encontro se constrói de primeira pessoa a primeiras pessoas, deixando desaparecer sensivelmente as categorias que escondem o sujeito e que se adéquam à outras “modalidades” da arte.
entre outras considerações, a residência pretende desenvolver uma estrutura que mantenha uma correspondência viva com outras ramificações da linguagem como a música, o texto, a dança com a intenção de apresentar o espaço criativo como um processo borrado – "delicado equilíbrio entre um mínimo de ordem admissível e um máximo de desordem" (umberto eco). esse espaço pode ser ativo de uma escritura que absorva elementos desencadeantes – um empilhamento de textos abertos à vertigem, desterritorializando. fazendo uso das distensões que a linguagem oferece, para que também se possa percorrer, construir e deixar-se transformar continuamente pelas idéias em jogo. a apropriação dessa escritura com "fins intransitivos" tem como desejo engendrar um ambiente mais aberto a perguntas do que a respostas.
agradecimentos à:
castor, juliana piquero, lucas laender, fernanda nocam, natália oliveira, aline schwartz, juliana penna, caroliny pereira, ana reis, cássia nunes, fernando prado, maíra spanghero.
UNIDADES FORMAIS DE ORGANIZAÇÃO SOCIAL - UFOS
A série de imagens Unidades Formais de Organização Social – UFOS, é parte de um procedimento performático que empreende na cidade deslocamentos e errâncias.
Em processo desde 2005, atenta para densidade da paisagem construída, ficciona e recolhe as imagens dos topos das habitações verticalizadas das cidades, para empreender sobre ela operações: duplicação e simetria.
Em suspensão, estes objetos de existência fantasiosa parecem vagar, duvidosamente...
O procedimento técnico de construção desta série de imagens alinha-se com as operações e processos de especulação contemporâneos: remasterizar e espelhar tipologias.
Homogêneas e simétricas, as imagens afirmam a auto referência: são unidades banais que formalizam outros estratos da organização social e capital.
Para isso é eficaz que componham uma frota extensa, desloquem-se em órbitas aproximadas e estabeleçam uma massa crítica gradual : horizonte denso.





Em processo desde 2005, atenta para densidade da paisagem construída, ficciona e recolhe as imagens dos topos das habitações verticalizadas das cidades, para empreender sobre ela operações: duplicação e simetria.
Em suspensão, estes objetos de existência fantasiosa parecem vagar, duvidosamente...
O procedimento técnico de construção desta série de imagens alinha-se com as operações e processos de especulação contemporâneos: remasterizar e espelhar tipologias.
Homogêneas e simétricas, as imagens afirmam a auto referência: são unidades banais que formalizam outros estratos da organização social e capital.
Para isso é eficaz que componham uma frota extensa, desloquem-se em órbitas aproximadas e estabeleçam uma massa crítica gradual : horizonte denso.





trajeto para hélio, ou uma coreoheliografia
Durante o período das chuvas em janeiro de 2008 passo a uma ação de re-florescimento no bairro Prado, local em que resido. O Prado torna-se um campo para uma tarefa de cultivo ampliada: situações que poderão afetar os habitantes através dessa ação anônima.
A ação acontece pela necessidade de ter uma colméia de abelhas Jataí em minha casa. Para que haja sustentabilidade nesse novo endereço, planto girassóis (heliantus annus), flor que abriga uma quantidade generosa de pólen. Espero assim que haja no bairro uma disponibilidade sustentável deste alimento para que as abelhas transmutem esta ação em mel, criando uma cartografia comestível.
Percorro o bairro e nesses deslocamentos penso em uma proposição emergente nas linguagens das artes do corpo, a coreogeografia, conceito que dialoga com os fazeres e reflexões de thiago costa, wagner schwartz e fabricia martins.
pensando no deslocamento espacial e geográfico do corpo, de seu movimento entre as coisas e as idéias é que se desenvolve a hipótese do que também pode ser considerado como dança – não somente uma simbologia criada por certas metodologias do movimento, mas uma coreografia de impressões, a coreoGEOgrafia.(wagner schwartz)
coreo geo grafia
Plantar converte-se então em uma tarefa coreográfica, coordenada por mediações ambientais e relacionais: “acompanho a temporalidade de um brotamento enquanto refresco minha ansiedade.”
geo torna-se campo para uma grafia.
Passo a chamar a ação de "Trajeto para helio ou uma coreoheliografia", por sugerir movimentos que dialogam com a luminosidade do sol e os afetos que parecem surgir nessas mediações .
A ação acontece pela necessidade de ter uma colméia de abelhas Jataí em minha casa. Para que haja sustentabilidade nesse novo endereço, planto girassóis (heliantus annus), flor que abriga uma quantidade generosa de pólen. Espero assim que haja no bairro uma disponibilidade sustentável deste alimento para que as abelhas transmutem esta ação em mel, criando uma cartografia comestível.
Percorro o bairro e nesses deslocamentos penso em uma proposição emergente nas linguagens das artes do corpo, a coreogeografia, conceito que dialoga com os fazeres e reflexões de thiago costa, wagner schwartz e fabricia martins.
pensando no deslocamento espacial e geográfico do corpo, de seu movimento entre as coisas e as idéias é que se desenvolve a hipótese do que também pode ser considerado como dança – não somente uma simbologia criada por certas metodologias do movimento, mas uma coreografia de impressões, a coreoGEOgrafia.(wagner schwartz)
coreo geo grafia
Plantar converte-se então em uma tarefa coreográfica, coordenada por mediações ambientais e relacionais: “acompanho a temporalidade de um brotamento enquanto refresco minha ansiedade.”
geo torna-se campo para uma grafia.
Passo a chamar a ação de "Trajeto para helio ou uma coreoheliografia", por sugerir movimentos que dialogam com a luminosidade do sol e os afetos que parecem surgir nessas mediações .
hélio – sol – helliantus – oiticica
Trajeto para hélio: mapa de histórias e cartografias afetivas do entorno.
Uma coreoheliografia, florescendo e desflorescendo. Ciclos vitais que desvelam os percursos de um corpo ambulante.
cheguei aranzel
voce jogou suas tranças, e cheguei.
alias, tô chegando mesmo.
depois da abertura do portal, passarei por ele e dia 09 mostrarei a cara, nessa belo horizonte!
f.
alias, tô chegando mesmo.
depois da abertura do portal, passarei por ele e dia 09 mostrarei a cara, nessa belo horizonte!
f.
"uma embriaguez acomete aquele que longamente vagou sem rumo pelas ruas.
a cada passo, o andar ganha uma potência crescente;
...sempre mais irrestível o magnetismo da próxima esquina, de uma massa de folhas distantes, de um nome de rua.
como um animal ascético, vagueia através de bairros desconhecidos até que, no mais próximo esgotamento afunda em seu quarto, que o recebe estranho e frio."
w.benjamim.o flâneur.
crochecturas
na casa de roberto fiávamos abrigos sobre os limoeiros e samambaias
descansamos à sombra de neuffert, sulamita e eu,
sorrimos e pensamos em beija-flores.
paisagem:
bicos fiadores
agulhas, cores e dedos agéis
delicadezas de folhas e ramos,
suspensos,
a tarde leve e ensolarada, verde...
regras e medidas em micro-cordéis de instante,
desejo habitar com claridade,
enquanto uma nuvem úmida acolhe a minha sobrancelha.






Enquanto isso, giravam sobre nós os grandes dias e as grandes noites de guerra feliz. Havia no ar que respirávamos um sentimento parecido com o amor. Como se bruscamente o mar estivesse perto, havia um assombro e uma exaltação no sangue. Tudo, naqueles anos, era diferente, até o sabor do sonho.
Jose Luis Borges, Deutscher Requiem
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